Maiores Literários Do Renascimento

O Renascimento surge entre os séculos XIV e XVII na civilização europeia, com a intenção de reviver a literatura clássica greco-romana.
Durante o período renascentista várias mudanças ocorreram. A princípio, a denominação deste movimento cultural propõe uma ressurreição do passado clássico, fonte de inspiração e modelo seguido.

Logo, o homem é valorizado, bem como a natureza, pois é concreta e visível. O humanismo e antropocentrismo se despontam em oposição ao teocentrismo, ao divino, ao sobrenatural.

O ser humano começa a se vangloriar por sua razão, por sua capacidade de raciocínio, por seu cientificismo.
Logo, todas as formas de arte refletem esse ideário: a literatura, a filosofia, a escultura e a pintura.
Nessa última destacam-se: Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael e Botticelli.

A nova realidade econômica, com a decadência do feudalismo e ascensão do capitalismo, por si só, exigiu uma reformulação na arte. Afinal, os burgueses começavam a frequentar universidades e as grandes navegações aceleravam ainda mais o processo cultural através do comércio.

Enquanto isso, os autores humanistas italianos se despontavam: Dante Alighieri, Francesco Petrarca e Giovanni Boccaccio.
Contudo, os autores tipicamente renascentistas são portugueses: Sá de Miranda, Antônio Ferreira e Luís de Camões.

A literatura tenta recuperar a Antiguidade Clássica através da retomada de seus modelos artísticos. Assim, a busca pela perfeição estética e a pureza das formas, trazem de volta os sonetos, a ode, a elegia, a écloga e a epopeia, inspirados em Homero, Platão e Virgílio.

Renascimento: do teocentrismo ao antropocentrismo, uma nova visão acerca do homem e do mundo

Leandro Marcos Costa

 

“Ó, suprema liberdade de Deus Pai! Ó, suprema e admirável felicidade do homem! Homem ao qual foi concedido obter aquilo que deseja e ser aquilo que quer. [...]” Pico de Mirândola.

 

O renascimento constitui um período de muitas transformações e de importância impar para a história da humanidade e do pensamento filosófico, além de ter contribuído significativamente para o avanço científico. É de suma importância se ter conhecimento deste período da história para se compreender o desenrolar do homem moderno após a Idade Média.

Houve no período renascentista uma reformulação na forma com que o homem se comportava e vislumbrava o mundo. Essa mudança de comportamento e paradigmas se deu devido a diversos fatores que serão abordados logo mais neste artigo e que vale apena ler para compreender o que de fato motivou tão grandiosa transformação para a história da humanidade.

Através de obras de história da filosofia e também valendo-se do subsidio da História geral, foi possível fazer uma pesquisa bastante abrangente e diversificada para se compreender tal período, que deixou seu legado na filosofia, na história, nas artes e nas ciências. Analisar estas multiformes tomadas pelo período renascentista é compreender uma grande mudança nos paradigmas do homem, que acabara de sair da Idade Média e se deparava com a sua própria existência e também com a natureza que estava a sua volta, a qual deveria ser explorada para ser compreendia de forma racional e sistematizada.

No período renascentista, o homem passa a ter compreensão mais antropocêntrica do seu ser e a cerca de sua realidade (o que não excluía a possibilidade da existência de Deus, eles admitiam o ser transcendente e que possuía no âmago do seu ser algo divino, que possibilitava ao homem ver-se como um portador da graça e não apenas como um pecador miserável, esta nova perspectiva se faz materializada nas obras de artes que exaltavam a supremacia do ser humano e a sua respectiva beleza). Tem-se neste período, entre os séculos XV e XVI, uma nova leitura acerca do mundo e dos pensamentos acerca da natureza, até então sacralizados e dogmatizados pela forte influência que o poder da Igreja exercia no período medieval.

Houve também, uma produção cultural, artística e científica muito significativa neste período, perpassar pelos principais pensadores desta época histórica, é uma forma de também adentrar no pensamento do homem renascentista, que abre espaço para a secularização do mundo e um avanço sem precedente para as ciências.

“O renascimento é assim nomeado, por fazer uma retomada histórica às referências da antiguidade” (SHMIDT, 2005). Houve um interesse muito grande acerca dos escritos gregos para se compreender o homem no seu atual estágio. Foi uma forma de retomada a cultura antiga.

Houve todo um contexto histórico que contribuiu para que houvesse essa reflexão mais antropocêntrica acerca do Homem, tais transformações foram à transição do feudalismo para o capitalismo mercantil (sec. XV) e “a ascensão da burguesia, que através da acumulação de capital advinda do comércio internacional, investia uma parte deste lucro na construção de palácios, igrejas e obras publicas” (ARRUDA, 1997, p.110). A criação da imprensa também foi um fator de suma importância, pois possibilitou a autonomia crescente dos filósofos e escritores e pesquisadores da natureza que se desvinculassem da Igreja. Além das grandes navegações, que estimulou o estudo científico do espaço terrestre e de sua relação com o universo.

Com o renascimento, houve um novo modo de pensar e compreender o homem e o mundo, que se multiplicavam nas idéias dos pensadores. Deus passa a não ser mais o protagonista dos questionamentos do homem, que agora descobrira em si uma fonte inesgotável de inspiração e conhecimento, assim o homem e a natureza tornam-se centros quase que unânime dos questionamentos. A natureza que o envolvia, a razão que o dominava, as ciências que se desenvolviam, tudo isto mudou de forma significativa a forma com que o homem vislumbrava o mundo. O universo já não era visto de forma mais puramente religiosa e dogmatizado, mas de forma racional e empírica, imparciais aos valores advindos da cultura medieval.

Não houve uma filosofia oficial renascentista. Entretanto, os pensadores renascentistas se identificavam com o chamado humanismo, que eram defensores da visão antropocêntrica. Os humanistas se preocupavam em recuperar obras gregas e romanas antigas que tinham sido esquecidas [...] Os humanistas renascentistas se interessavam pelos valores do individuo de um modo desconhecido da antiguidade ou na Idade Média. Exemplo o filósofo Michael de Montaigne, que escreveu um livro cujo tema era sua própria existência. (SHMIDT,2005, p. 135)

O Renascimento teve impacto em diversas áreas, como nas ciências. Abriu-se possibilidades de se descobrir empiricamente a realidade que estava no mundo, de forma experimental e benéfica para o desenrolar das ciências. Muitos cientistas afirmavam que se poderia chegar à verdade das coisas usando de forma bem empregada a razão. A verdade agora não está tão vinculada às crenças e religiões, mas sim na razão, que para os renascentistas, era capaz de explicar toda a realidade. Com esta certeza, o homem passa a ter uma visão mais racional acerca da realidade, abrindo um precedente para se pensar no mundo, de forma bem diferente como era concebido pelo homem da Idade Média e muito mais ampla. O olhar sobre o mundo ganha vida quase que própria, uma perspectiva mais geográfica e cientifica sobre o universo é desencadeada.

Nas artes, essa liberdade e autonomia advindo do pensar renascentista, fez com que a arte fosse valorizada por si mesma, não como algo ligado e valorativa a religião. A beleza estética é a manifestação da mais pura liberdade humana, e é nesta área em específico que o homem se sentiu livre para expressar toda a sua beleza e autonomia.  Houve uma produção riquíssima de belas obras, fruto desse novo homem que acabara de se deparar com a beleza do mundo, do universo, do próprio homem.

Na política, houve um enfraquecimento do poder político do papado.

Surgem fora da Itália, os Estados nacionais e na Itália, as repúblicas e as senhorias. Trata-se nos dois casos, de regimes que nos quais se respira liberdade e nos quais se procura mais o bem-estar material do que espiritual dos cidadãos. Agora, a preocupação dos governantes não estão mais votadas para Deus e a Igreja, mas para os próprio súditos, e muitas vezes, para o interesse próprio e para própria família. (MONDIN, 1981, p.9)

Esta série de mudanças ajudou a impulsionar a nova concepção de mundo e homem da renascença. O principal nome nesta área da política foi Maquiavel, que na sua obra “O Principe”, se dispõe a escrever sobre o estado ideal, composto por uma “política como resultado da experiência das coisas modernas e da continua ligação das antigas.” (MONDIN, 1981, p.9).

No campo da religião o homem se deparava com uma igreja hierárquica, que intermediava o homem e Deus. Esta instituição fortíssima na Idade Média vai sendo alvo de diversos cismas, e questionamentos acerca dos abusos das relíquias e das indulgências, além da imoralidade do clero e da crise que enfrentava a autoridade do papa. Todos estes problemas referente às estruturas da igreja não podiam interferir no espírito do homem renascentista, que passa a ser mais cético em relação à religião. Lutero faz uma nova leitura acerca deste sentimento e promove uma reforma na Igreja.

E por fim, na filosofia, houve uma preocupação de conceituar de forma sistematizada esta nova concepção de homem e das coisas, advindas da maturação do pensar do homem renascentista.

A filosofia em sua qualidade de dimensão do espírito, ela se empenha em viver suas crises, sua mudanças e suas transformações. Foi o que ela fez na renascença, participando da angustia interior que atormentava o homem daquele tempo, entregue a conquista da própria autonomia e liberdade. (MONDIN198, p.14)

Os principais filósofos foram Pomponazzi (1462-1525), Giodarno Bruno (1548-1600), Campanella (1509-1588), Erasmo de Roterdã (1469-1536), Bondin (1529-1596), Maquiavel (1469-1527), Thomas Morus (1480-1535), Montaigne (1533-1592).

Quando o ser humano muda de perspectiva de vida, ele se depara com algo novo, que o faz desafiar os limites da sua própria razão. O homem tem sua autonomia fundamentada na sua racionalidade, com ela ele vislumbra a imensidão do mundo, sem antes ter medo dessa imensidão, este é apenas mais um salto para que a sua razão alcance ainda mais áreas que não foram posta a seu conhecimento. O período renascentista ilustra bem estas palavras, com fatores que possibilitaram um novo modo de ver o mundo, o homem inaugura em sua realidade elementos que são capazes de modificar a estrutura social, política, cientifica, cultural e filosófica da sua época, algo de extrema audácia, que impulsiona a espécie humana a conhecer mais profundamente o mundo que o cerca, fazendo deste mundo um lugar de experiências múltiplas e riquíssimas, que faz emergi vários sentimentos, como angustia, felicidade, realização e autonomia. Em conclusão, o renascimento nos mostra o quanto o homem pode inovar em sua capacidade de pensar o mundo.

 

Referências

ARRUDA, José Jobson. História integrada: da idade média ao nascimento do mundo moderno. 4ª Ed. São Paulo: Editora Ática, 1997. (V. 2)

MONDIN, Battista. Curso de filosofia: os filósofos. 2ª Ed. São Paulo: Paulinas, 1981.

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia: do humanismo a Kant. São Paulo: Paulus, 1990. (Coleção filosofia, v.2)

Medicina No Renascimento

Medicina

Na era do Renascimento, surgiu novamente o interesse pelas artes e ciências na Europa, o que conduziu a importantes progressos na medicina. Muitos médicos desta época estudaram e colocaram em causa os conhecimentos e descobertas da Antiguidade (Grécia Antiga e Egipto), havendo a divulgação e formulação de informação nova e rigorosa. O Renascimento constituiu uma época de fulcrais descobertas, em que a visão acerca da Medicina mudou completamente. Os médicos passaram a analisar a medicina e os tratamentos medicinais de um modo mais objectivo, não atribuindo tanta importância a causas sobrenaturais, como espíritos malignos e demónios, o que acontecia com os métodos medicinais utilizados anteriormente. Foram realizadas diversas pesquisas, tanto a nível anatómico como a nível cirúrgico, principalmente devido a análise de corpos em campos de batalha. Novos tratamentos foram desenvolvidos em pleno campo de batalha, visto que médicos começaram a fazer medicamentos naturais para ajudar pessoas com ferimentos de guerra. Além disso, os feridos de guerra permitiram aos médicos renascentistas fazer cirurgias e analisar o corpo humano de uma forma mais profunda.

Foi possível a dissecação de cadáveres, amputações, fazer membros artificiais e adoptar curativos à base de plantas medicinais e substâncias naturais. Todos estes tratamentos na época renascentista permitiram um melhor conhecimento da anatomia humana e de alguns processos que regulam o funcionamento do corpo humano, havendo uma nova abordagem da medicina.

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A Ciência no Renascimento

Durante o Renascimento, observamos que a troca de conhecimento não possibilitou somente o desenvolvimento de novas formas de arte. De fato, uma considerável parcela dos nomes dessa época esteve envolvida no desenvolvimento de estudos relacionados ao homem e à natureza. Podemos assim ver, que esse período também fora marcado por um “renascimento científico”, onde vários campos do conhecimento como a astronomia, a matemática, a física e a medicina avançaram.

Em geral, os cientistas dessa época organizavam suas pesquisas através de observações e experimentos capazes de suscitarem novas questões científicas e elaborar outras formas de conhecimento. Historicamente, essa nova atitude com relação ao mundo estabelecia um grande marco na produção do saber. Afinal, através da razão, os homens desse tempo rompiam com o monopólio de conhecimento exercido pela Igreja ao longo da Idade Média.

Na astronomia, a comprovação da teoria heliocêntrica, onde a Terra girava em torno do Sol, estabelecia a quebra da antiga concepção geocêntrica que defendia que o Sol girava em torno da Terra. O primeiro a estipular essa nova tese foi Nicolau Copérnico (1473 – 1543), que passou vários anos atuando como professor na cidade italiana de Pádua. Logo depois, Galileu Galilei (1564 – 1642) comprovou essa teoria através de cálculos e do uso de um telescópio desenvolvido por ele mesmo.

Aclamado como um dos pais da Física Moderna, Galileu também foi de grande importância para a realização de estudos que fundamentaram a lei da queda dos corpos. Ainda com relação à Física, não podemos deixar de fazer a devida menção a Leonardo da Vinci. Considerado um dos maiores nomes da Renascença, esse estudioso italiano contribuiu nesse campo com a realização de experimentos relacionados à hidráulica e à hidrostática.

Nas ciências médicas, Mundinus teve grande importância na dissecação de cadáveres para o conhecimento da anatomia humana. Após ele, vários outros interessados pela anatomia conseguiram desvendar algumas estruturas formativas do corpo. Falópio realizou o estudo que comprovou a presença dos ovidutos, também conhecidos como trompas de Falópio; Miguel Servet e William Harvey obtiveram novas informações sobre a circulação sanguínea; e Estáquio investigou as estruturas do ouvido humano.

Indicando o intercâmbio de conhecimento dessa época, devemos também destacar as descobertas de Johan Kepler (1571 – 1630). Retomando as teorias de Copérnico, ele não só comprovou que os planetas giravam em torno do Sol, mas também demonstrou que a órbita deste, formava uma elipse. Ainda no campo da medicina, o suíço Paracelso (1493 – 1541) comprovou a importância dos estudos químicos para o desenvolvimento do saber médico.

De forma geral, observamos que os vários estudiosos da Renascença foram de suma importância para que a obtenção de conhecimento fosse modificada. Ao invés de contemplar e aceitar os fenômenos naturais enquanto manifestação da natureza divina, os homens dessa época acreditaram que o experimento e o uso de argumentos racionais pudessem revelar as “engrenagens” que movimentavam o mundo à sua volta.

Renascimento: as manifestações artísticas e intelectuais

O Renascimento

Para a mentalidade medieval, a desigualdade proporcional era um bem e não uma injustiça, pois era baseada não no amor próprio, mas na humildade de reconhecer as carências individuais de cada um e a superioridade de outros. De maneira que a regra é a admiração às superioridades de cada um (pois cada pessoa representa em si algo da perfeição de Deus, e representa esta perfeição melhor do que qualquer outra). Em se admirando, algo daquilo a que se admira passa para quem admira, e assim sucessivamente, existe uma constante progressão social para o mais alto, para o mais belo, para o mais perfeito. A função da elite é, pois, a de elevar constantemente a sociedade e não, como querem os socialistas, oprimir e destruir.
Com o advento do Renascimento, esta “atitude de alma” admirativa, gradativamente, vai se transformando em inveja; e do ideal de desigualdades harmônicas, passa-se a uma busca constante de igualdade e liberdade. Igualdade fruto do orgulho que não aceita superioridade. Liberdade que não aceita a imposição de regras sociais e morais, que, segundo os revolucionários, aprisionariam o homem . Da união destes dois princípios revolucionários, somos todos iguais e livres, surge a fraternidade ecumênica e niveladora, onde a verdade é subjetiva e a moral apenas social (pelo menos até o advento das chamadas sociedades alternativas, que praticamente preceituam a inexistência da moral).
“A partir do século XIV, começam a surgir fissuras no grandioso edifício da Idade Média: uma gradual e profunda mudança de mentalidade começa a se operar na Cristandade.”
Essa mudança não ocorreu – principalmente, pelo menos – de forma explícita ainda no Renascimento, a transformação foi muito mais tendencial do que ideológica.

PINTURA RENASCENTISTA

Primavera -1482 / Botticelli – mostra ritmo, vitalidade e leveza

Na antiguidade a pintura era vista como um ofício, o que era comum em todas as artes. Os mestres pintores recebiam encomendas importantes e tinham de executar quadros num tempo limitado, com conteúdos pré-definidos e destinados a um fim pré-determinado. Mas, há cerca de 700 anos os pintores começaram a lutar pela liberdade criativa,   a  lhes emprestar um conteúdo que não se limitasse ao motivo principal, apenas.
 
Na Renascença, a pintura é enriquecida de novo processo técnico – o processo a óleo, mais prático do que os processos conhecidos dos afrescos, têmpera e encáustica. O homem desta época já é um homem moderno, de espírito racionalista e mentalidade científica. Enquanto a ciência da Idade Média era a Teologia, isso é, o estudo e o conhecimento de Deus, a ciência da Renascença era o Humanismo, o estudo e o conhecimento do homem. Esta visão encontra-se documentada pela primeira vez na pintura de Giotto di Bondone.
 
A pintura renascentista caracteriza-se pela aplicação de leis matemáticas e princípios geométricos na composição; vemos isso na ‘Ceia’ de Leonardo e na ‘Transfiguração’ de Rafael. Pelo realismo visual e pelo reaparecimento da representação do espaço e do volume, através da perspectiva científica e o claro-escuro, ignorados desde a antiguidade.
 
Embora representando temas religiosos a pintura renascentista não é mística, simbólica nem deformadora, mas realista e de inspiração realista e profana. As teorias artísticas renascentistas fundaram-se no conhecimento e estudo das obras da antiguidade clássica greco-romana que na época começaram a ser descobertas e admiradas pela iniciativa de príncipes e papas protetores das artes.
 
O espírito do humanismo, a atenção e o interesse que começava a manifestar no povo, também se fez sentir no aparecimento de um novo gênero: ‘o retrato’. Os pintores renascentistas começaram por se concentrar na possibilidade de individualização: ou seja, do rosto. Os pormenores eram registrados fielmente. A utilização mais usada, a princípio, era o perfil, pois partia-se do princípio que era a forma que oferecia menos possibilidades de variar e atenuar, podendo corresponder à maior exatidão. Assim foram os primeiros retratos renascentistas, muito parecidos com as moedas e medalhas antigas, que os artistas da época estudavam exaustivamente.
 
Masaccio foi o primeiro pintor a reconhecer o que a descoberta da perspectiva significava para a pintura. Em 1427, executou na igreja Santa Maria Novella, um fresco da Santíssima Trindade que chocou os fiéis. A ilusão de espaço que parecia real contrariava totalmente os hábitos visuais vigentes até então. Os fiéis pensavam que o pintor tinha feito um buraco na parede que mostrava uma capela vizinha.
 
Piero della Francesca, também foi um dos primeiros pintores do Renascimento italiano a reconhecer o poder harmonizante da luz e a sua importância para os fenômenos materiais e da cor.
Com a Flagelação de Jesus Cristo mostra que a ação principal se desenrola num salão com colunas ao fundo do quadro, enquanto que em primeiro plano se vê um grupo de homens.
 
Sandro Botticelli mostra que sua pintura deixa de ser estática, ganhando movimento de uma forma nunca vista. Nascimento de Vênus, representa um tema mitológico, nascida da espuma das ondas – deusa da beleza e do amor -, ergue-se de uma concha (símbolo da fertilidade), conduzida pelos deuses do vento sobre o mar movimentado até a margem onde é envolta num manto vermelho por Flora, deusa das flores. Os cabelos esvoaçantes e os trajes dão uma leveza agitada ao quadro.
 
Andrea Mantegna, com ‘A Deposição de Cristo’, é igualmente a prova como os pintores do Renascimento contribuíram para esse desenvolvimento alucinante que só levou um século, elevando-se em voos artísticos cada vez mais audazes. O que é fascinante nessa obra é a inserção do observador na composição. Mostra um Cristo dramático, escorço. O corpo parece alongar-se para dentro do espaço.
 
Leonardo Da Vinci é o protótipo do homem criativo renascentista, o homem universal. Não só foi o inovador da pintura, como também possuía vasto conhecimento relativamente a todos os campos das ciências da época, assim como da técnica e da arquitetura. As suas obras influenciaram muitos artistas através dos séculos. Cito sua Mona Lisa – pequeno quadro, 77 x 53 cm, pintado em 1503.
 
Miguel Ângelo Buonarroti é o espírito que aperfeiçoou o Renascimento e cuja obra mostra a grandeza e o drama da época como em nenhum outro artista. Seus trabalhos de pintura, escultura e arquitetura constituem uma unidade cuja figura central é o ser humano criador, a sua força e o seu sofrimento. Para Miguel Ângelo a criação artística era uma espécie de religião universal, um instrumento para a percepção do homem como ser e do mundo que o envolve. Cito ‘A Criação de Adão’ , Capela Sistina / 1508.
 
Ticiano, em ‘A Vênus de Urbino’ mostra o contraste com o fundo escuro. Os traços individualizados da modelo, representação viva do corpo na pintura de tons quentes, reveste a obra de um caráter extremamente íntimo.
 
 

 

Antonio Del Pollaiuolo / séc 15 – perfil
Santíssima Trindade / Masaccio – 1427
 Federico Montefeltro / Sandro Botticelli

A Transfiguração / Rafael Sanzio

 
de Giovanni Bellini  
Retrato ‘O Doge Leonardo Loredan’ – 1505
 
 
Ticiano / Vênus de Urbino – 1538

 

A Escultura Renascentista

 


 


Donatello, Estátua eqüestre

Os valores greco-romanos ganham maior importância no século XIII. O italiano Niccolò Pisano se empenhou na reformulação dos padrões góticos. Mantendo motivos religiosos, mas com expressões humanas, assinalou o início do Renascimento na escultura.

Nos séculos XIV e XV, cresce a admiração pelos clássicos e o culto ao ser humano. Donatello foi um grande escultor, que introduziu o humanismo, precedendo o naturalismo e a glorificação do nu.

O auge da escultura renascentista, contudo, são observadas as obras de Michelangelo, que utilizou enormes blocos de mármore e deixou obras de grande porte e beleza, influenciadas pelos ideais estéticos helenísticos, tais como seu Davi e a Pietá.

Tornou-se famoso também na pintura. Procurava expressar pensamentos em suas esculturas, buscando efeitos vigorosos na emoção e alcançando grande vitalidade em seus trabalhos. Estudou a figura humana com empenho, nas formas mais diversas de expressão, posição e atitude. É considerado precursor do Barroco, devido à força de expressão das suas obras.


Davi, 1444-46, bronze, 158 cm, 
Museu Nacional do Bargello
Florença, Itália

Tanto Donatello quanto Michelangelo esculpiram a figura de Davi.

O Davi de Donatello é feito de bronze e considerado o primeiro nu artístico com notável inspiração helênica.

Já o Davi de Michelangelo foi elaborado em mármore com grande inspiração helenística.

Na escultura renascentista, desempenham um papel decisivo o estudo das proporções antigas e a inclusão da perspectiva geométrica. As figuras, até então relegadas ao plano de meros elementos decorativos da arquitetura, vão adquirindo pouco a pouco total independência. Já desvinculadas da parede, são colocadas em um nicho, para finalmente mostrarem-se livres, apoiadas numa base que permite sua observação de todos os ângulos possíveis.

O estudo das posturas corporais traz como resultado esculturas que se sustentam sobre as próprias pernas, num equilíbrio perfeito, graças à posição do compasso (ambas abertas) ou do contraposto (uma perna na frente e a outra, ligeiramente para trás). As vestes reduzem-se à expressão mínima, e suas pregas são utilizadas apenas para acentuar o dinamismo, revelando uma figura humana de músculos levemente torneados e de proporções perfeitas.

Outro gênero dentro da escultura que também acaba sendo beneficiado pela aplicação dos conhecimentos da perspectiva é o baixo-relevo (escultura sobre o plano). Empregando uma técnica denominada schiacciato, Donatello posiciona suas figuras a distâncias precisas, de tal maneira que elas parecem vir de um espaço interno para a superfície, proporcionando uma ilusão de distância, algo inédito até então.

Desse modo, ao mesmo tempo que se torna totalmente independente da arquitetura, a escultura adquire importância e tamanho. Reflexo disso são as primeiras estátuas eqüestres que dominam as praças italianas e os grandiosos monumentos funerários que coroam as igrejas. Pela primeira vez na história, sem necessidade de recorrer a desculpas que justificassem sua encomenda e execução, a arte adquire proporções sagradas.

Principais Características

- Buscavam representar o homem tal como ele é na realidade 
- Proporção da figura mantendo a sua relação com a realidade 
- Profundidade e perspectiva 
- Estudo do corpo e do caráter humano